Às vezes fico teorizando sobre não haver tempo. Esse tempo, cronológico, uma linha onde fatos e horas e minutos e segundos vão acontecendo. Penso também que a única coisa que há, falando de atual (do qual o Pierre Lévy nos fala), é o presente. Nada anterior nem além dele.
Ademais penso que, em boa parte das vezes, o que se acredita acaba sendo, vira real. O poder de um pensamento é bem grande mesmo. O crer, a fé nos envolve quando deixamos. Criar realidades.
Tenho inveja daqueles que saem voando por aí. Pra mim é meio difícil.
E talvez por isso me sinta isolado. Por pensar ser difícil montar na imaginação e sair pelos ares. Lembro: eu era tão bom, imaginava mil estórias nas jornadas que fazia pelo chão da sala e da área lá em casa, com os brinquedos que guardava num baldinho verde, que ainda guardo. Haviam sempre os personagens, ou "atores" preferidos, que eu já ia escolhendo como protagonistas. Pois é, aí vem aquela coisa nostálgica, de que antes tudo era bom, melhor.
Um amigo poeta e agricultor me fala que quando pensamos nesse tal passado, o trazemos para o presente, e por isso a emoção fica tão forte, tão... presente.
Mas falar de passado não significa que eu tenha quebrado a teoria lá.
A minha teoria é de que não dá pra viver outra coisa além do presente.
E esse presente é imedível, incontável, indefinível, inenquadrável, talvez imperceptível. Se considerarmos um momento, antes de termos dado conta dele, ele já passou. Daí já seria outro presente, outra coisa, milhões de transformações vão ocorrendo de momento a momento. O sangue, o ar, as células, os fluxos, os elétrons, os píons e as partículas menores, que não me interessei em aprofundar nas nomenclaturas da química, se movimentam, se moldam e nunca nada mais é a mesma coisa.
Não somos os mesmos e mudamos desde a primeira letra que você lê desta palavra até a seguinte. Ou desde antes que você terminasse de começar a ler a primeira letra, ou numa parcela até menor... de tempo.
O tempo é a angústia do ser. A angústia do ser é quando ele acha que tem que ficar aqui pra contar histórias.
O bicho-homem enrola-se a si mesmo na linha do tempo. Fisga-se, tipo pescaria, forca.
Quem nunca lamentou algo que passou? Quem não, este sim será bem feliz. O tempo nos serve para achar que somos culpados por alguma coisa. Pelo tempo que passou, pelo tempo que ainda resta, pelo tempo que desperdiçamos, é como moeda mesmo.
Nós ficaremos, meus caros, é que é inimaginável se tornar inimaginante, ou sei lá como vamos ser depois.
Mas nada ser questão de culpa nem de desculpa me faz pensar se não devamos manter a ética, a harmonia, o respeito.
Não creio que existe uma atitude melhor que outra, ou qualquer coisa melhor que outra. Não há comparativo. As coisas divergem das outras, assim como divergem de si mesmas, ao passar dos instantes. Por que então conservar aquelas conveniências?
A solução?
Por enquanto, a resposta fica sendo aquela antiga música:
"Se for pra valer, tudo tem que ser por amor, na incerteza"
Então se só o presente é, nunca se estaria envelhecendo, e as idades, e as eras, e as ocasiões, nada importaria.
E nada realmente importa. Se eles não se importam ou se você não se importa de início, nada disso importa. Devemos transformar.
Era massa enlouquecer, mobilizar meu corpo, a dança, mobilizar os outros, a festa. E fazer dos dias algo esplendoroso, o mundo.
Eu vejo assim as coisas. As lembranças são importantes, sim. Façamos outras boas lembranças. Que a vida, me enganei, é meio presente, meio lembrança e meio futuro.
Depois eu escrevo o resto, Nena. Obrigado pelo Convite
Jadiel Lima