segunda-feira, 3 de setembro de 2012

não há tempo

Às vezes fico teorizando sobre não haver tempo. Esse tempo, cronológico, uma linha onde fatos e horas e minutos e segundos vão acontecendo. Penso também que a única coisa que há, falando de atual (do qual o Pierre Lévy nos fala), é o presente. Nada anterior nem além dele.
Ademais penso que, em boa parte das vezes, o que se acredita acaba sendo, vira real. O poder de um pensamento é bem grande mesmo. O crer, a fé nos envolve quando deixamos. Criar realidades.
Tenho inveja daqueles que saem voando por aí. Pra mim é meio difícil.
E talvez por isso me sinta isolado. Por pensar ser difícil montar na imaginação e sair pelos ares. Lembro: eu era tão bom, imaginava mil estórias nas jornadas que fazia pelo chão da sala e da área lá em casa, com os brinquedos que guardava num baldinho verde, que ainda guardo. Haviam sempre os personagens, ou "atores" preferidos, que eu já ia escolhendo como protagonistas. Pois é, aí vem aquela coisa nostálgica, de que antes tudo era bom, melhor.
Um amigo poeta e agricultor me fala que quando pensamos nesse tal passado, o trazemos para o presente, e por isso a emoção fica tão forte, tão... presente.
Mas falar de passado não significa que eu tenha quebrado a teoria lá.
A minha teoria é de que não dá pra viver outra coisa além do presente.
E esse presente é imedível, incontável, indefinível, inenquadrável, talvez imperceptível. Se considerarmos um momento, antes de termos dado conta dele, ele já passou. Daí já seria outro presente, outra coisa, milhões de transformações vão ocorrendo de momento a momento. O sangue, o ar, as células, os fluxos, os elétrons, os píons e as partículas menores, que não me interessei em aprofundar nas nomenclaturas da química, se movimentam, se moldam e nunca nada mais é a mesma coisa.
Não somos os mesmos e mudamos desde a primeira letra que você lê desta palavra até a seguinte. Ou desde antes que você terminasse de começar a ler a primeira letra, ou numa parcela até menor... de tempo.
O tempo é a angústia do ser. A angústia do ser é quando ele acha que tem que ficar aqui pra contar histórias.
O bicho-homem enrola-se a si mesmo na linha do tempo. Fisga-se, tipo pescaria, forca.
Quem nunca lamentou algo que passou? Quem não, este sim será bem feliz. O tempo nos serve para achar que somos culpados por alguma coisa. Pelo tempo que passou, pelo tempo que ainda resta, pelo tempo que desperdiçamos, é como moeda mesmo.
Nós ficaremos, meus caros, é que é inimaginável se tornar inimaginante, ou sei lá como vamos ser depois.
Mas nada ser questão de culpa nem de desculpa me faz pensar se não devamos manter a ética, a harmonia, o respeito.
Não creio que existe uma atitude melhor que outra, ou qualquer coisa melhor que outra. Não há comparativo. As coisas divergem das outras, assim como divergem de si mesmas, ao passar dos instantes. Por que então conservar aquelas conveniências?
A solução?
Por enquanto, a resposta fica sendo aquela antiga música:
"Se for pra valer, tudo tem que ser por amor, na incerteza"
Então se só o presente é,  nunca se estaria envelhecendo, e as idades, e as eras, e as ocasiões, nada importaria.
E nada realmente importa. Se eles não se importam ou se você não se importa de início, nada disso importa. Devemos transformar.
Era massa enlouquecer, mobilizar meu corpo, a dança, mobilizar os outros, a festa. E fazer dos dias algo esplendoroso, o mundo.
Eu vejo assim as coisas. As lembranças são importantes, sim. Façamos outras boas lembranças. Que a vida, me enganei, é meio presente, meio lembrança e meio futuro.

Depois eu escrevo o resto, Nena. Obrigado pelo Convite

Jadiel Lima

domingo, 19 de agosto de 2012

.:Lembranças:.

    É engraçado como as coisas e as pessoas perdem a grandeza e a importância com o tempo... Creio que isso seja a melhor e a pior coisa do mundo. A melhor porque nada é tão intenso ou doloroso como já foi um dia, mas a parte ruim é não poder desfrutar mais de algo que já foi forte, ardente e grandioso.
    Quando falo de grandiosidade e de intensidade me refiro principalmente a sentimentos direcionados a alguém no passado. Quem nunca sentiu algo avassalador por alguém, um sentimento forte mas que com o tempo, distância ou por qualquer outro motivo o que se sentia diminuiu ate ficar bem escondido na memória ou em alguns casos no coração.
    Hoje me deparei com uma situação no mínimo inusitada, no meio da noite escutei uma música que lembra bastante meu passado e uma vontade súbita de ver uma pessoa me veio a cabeça. Uma pessoa que a muito tempo não via. Logo após sentir essa estranha vontade me deparei com um dilema, como ver a foto de alguém que a anos não vejo e que perdi totalmente o contato??? Então dei inicio a uma busca desenfreada no facebook, munida apenas pelo primeiro nome e pela lista de possíveis contatos em comum. Depois de quase 1 hora, eu achei. Achei a face do causador de tantas noites não dormidas, de tantas lágrimas, de tantos sorrisos e suspiros, enfim, achei uma grande paixão do passado...
    Nossa! Ele mudou muito, realmente seguimos caminhos diferente (o facebook possibilita traçar um idéia superficial da pessoa que estamos olhando o perfil apenas pelo que ela curte ou por fotos, incrível né?) percebi como o tempo nos muda exterior e interiormente.
Quando via a foto do meu ex-amor várias perguntas vieram como uma enxurrada: Será que ele está bem? Será que está solteiro? Onde está vivendo? O que está fazendo da vida? Será que lembra de mim? Será que tem filhos?.... Infelizmente não consegui responder nenhuma das mil perguntas que surgiram, mas fui capaz de experimentar várias coisas diferentes em pouco tempo, vendo a foto de uma pessoa que já foi muito importante pra mim (independente do grau de relacionamento que tive com ela) e que conseguiu despertar um sentimento enorme em mim (mesmo que sem querer) eu me senti como se eu tivesse na época dessa paixão, quando fazia mil loucuras pra pelo menos ver essa pessoa tão especial. Era uma satisfação enorme ao menos ver um sorriso, ou saber que eu estava perto dele. Um sentimento puro. Eu consegui lembrar de coisas que já não me são fundamentais nem importantes mas que me fizeram bem e por incrível que pareça ainda me fazem.
Espero dormir pensando no que isso me proporcionou (você leu certo, eu falei isso, me refiro ao meu sentimento), pensando no quão bom foi tudo e que mesmo tendo sofrido muito por não ter conseguido ficar perto desta pessoa como eu gostaria de ter conseguido, guardo sensações boas, lembranças maravilhosas.
    A mensagem que eu tentei passar com este texto é: não se desespere com as coisas, elas perdem o significado com o tempo. Não quero dizer que devemos deixar de lutar pelo que queremos, acredito que devemos ir até onde não tivermos mais forças lutando por um bom propósito. Apenas quero dizer que não devemos desistir com uma derrota, as vezes não temos controle sobre as coisas e por conta disso tudo pode dar errado. Uma derrota só nos deixa mais fortes e cá pra nós, a grandeza do ocorrido é momentânea... Você da a importância de determinada situação...
    Uma coisa que acredito ser de fundamental importância, tente lembrar do que você sentiu, das pessoas que passaram na sua vida, dos lugares e situações, porque é sempre bom relembrar, é bom ver que evoluímos e que estamos em constante mudança. É bom saber que podemos melhorar e que as vezes controlamos isso.

Boa Noite e bons momentos nostálgicos!
:3